quarta-feira, 20 de novembro de 2013

MELANCOLIA -I - Soneto.

 Imagem de Joaquim Morgado Sousa


MELANCOLIA - I    

Vieste melancolia me afundar em desamor.
Como vaga que no mar se levanta furiosa.
Agigantando-se em desvario o teu furor
Arrasta envolvendo tudo, densa e espumosa.

Quantos foram para o fundo com teu ardor?
No teu canto lúgubre te mostraste jeitosa
Quantos já te trocaram saindo da dor?
E desabastes frágil, cobalida, chorosa.

Agora sou a quem se entrega tão docilmente
 Aos teus arroubos de amante e me cativas
Na penumbra do meu quarto entre lençóis

E nessa tristeza que me embala veladamente
Sou Aquela que enlutou pela alegria perdida
Nos vinhais de dores vejo o mundo mais atroz.


Obra: Entre Versos

ANGEL




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